Nanotecnologia pode auxiliar na diminuição da toxicidade de medicamentos

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Nanotecnologia pode auxiliar na diminuição da toxicidade de medicamentos

A utilização de lipossomas pode diminuir a toxicidade de fármaco quimioterápico.

Atualmente, o tratamento do câncer pode ser feito por meio de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. A quimioterapia é realizada, principalmente, por via endovenosa. Porém, os efeitos adversos causados por esses medicamentos são variados e bem relacionados ao trato gastrointestinal. Dentre eles, a mucosite é considerada um dos maiores problemas de pacientes oncológicos, caracterizada por dores intestinais e/ou orais, vômitos, diarreia, feridas na boca e destruição do epitélio gastrointestinal, que consequentemente levam à redução do peso e à má absorção dos nutrientes.

Com isso em mente, a aluna de doutorado Raquel Araújo vem desenvolvendo um trabalho com o objetivo de diminuir tais efeitos adversos. De acordo com a literatura e pesquisas desenvolvidas por outros alunos do Laboratório de Radioisótopos, o uso de carreadores nanoestruturados de fármacos é uma boa estratégia para a liberação controlada destes no organismo, propiciando reedução da dose administrada e dos efeitos adversos, porém sem comprometer a eficácia terapêutica. Neste contexto, destacam-se os lipossomas, que são vesículas lipídicas esféricas constituídas por uma cavidade aquosa envolvida por bicamadas de fosfolipídios com diâmetro variando da escala nanométrica até micrométrica. Na literatura encontra-se descrito um tipo especial de lipossomas denominado de pH sensível, estes apresentam como característica a desestabilização da bicamada lipídica frente ao pH ácido, frequentemente, encontrado em tecidos acometidos por tumores, inflamações e/ou infecções.

O grupo de pesquisadores dos Laboratórios de Radioisótopos e Farmacotécnica da Faculdade de Farmácia da UFMG desenvolveu uma formulação de lipossomas pH sensível contendo cisplatina. Neste contexto, os dados obtidos por meio de estudos de biodistribuição mostraram que a constante de transferência (Kp) para o tecido renal da cisplatina encapsulada foi menor do que a cisplatina livre, resultando em menor toxicidade para os túbulos renais. Entretanto, não existem relatos na literatura sobre a estratégia de se utilizar a cisplatina encapsulada, em lipossomas, para minimizar os efeitos adversos deste fármaco sobre o epitélio intestinal. Assim, o trabalho tem como proposta investigar alguns parâmetros envolvidos no processo inflamatório do epitélio intestinal (mucosite) após a administração da cisplatina na forma livre e encapsulada em lipossomas pH sensíveis.

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